Desacelerar para se encontrar: o que toda mãe precisa ouvir

O que aprendi acompanhando centenas de mães nos meus anos como doula

No meu trabalho de doula, vejo essa situação com muitas mães: ela chega organizada, com um caderninho cheio de perguntas anotadas e, às vezes, até com planilha. Me conta sobre a carreira, os projetos que gerenciava, as metas que batia. E, então, quase como um pedido de desculpas, diz: "Eu sempre fui muito produtiva, sabe? Mas agora... não sei o que está acontecendo comigo."

Eu sei o que está acontecendo.

Acontece com MUITAS!

Tem uma delas que nunca vou esquecer — vamos chamá-la de Ana. Executiva, competente, acostumada a resolver problemas complexos. No táxi, ao caminho da maternidade para sua cesariana programada, ela fechou um projeto, organizou a transição e até deixou uma reunião marcada para poucos dias depois.

Após três semanas, me ligou às 4h da manhã, chorando.

"Marianna, eu não aguento mais. Eu não consigo nem tomar banho direito. O que está errado comigo?"

Nada estava errado com ela.

Tudo estava certo demais, na verdade. Ela só estava descobrindo algo que ninguém conta: que nasce um bebê e uma mãe, mas morre também uma parte da mulher que você era antes.


A bomba que explode em silêncio

Eu vejo isso acontecer toda semana. Uma mulher que sempre esteve no controle, de repente, não consegue terminar uma refeição. Começa três tarefas e não finaliza nenhuma. Perde o fio da meada no meio de uma frase. Esquece se já comeu, se tomou banho, que dia é hoje.

E, então, o bebê acorda segundos depois de ela ter conseguido deitar.

A fralda vaza logo após a troca. 

Ela finalmente se senta e já precisa se levantar de novo.

E de novo.

E de novo.

E aí vem a pergunta que todas fazem, cedo ou tarde: "por que não consigo dar conta? Eu sempre fui tão capaz..."

Ouço essa frase pelo menos três vezes por semana. Às vezes ela vem acompanhada de vergonha. Às vezes de raiva. Quase sempre de exaustão.

Me sobe um amor e carinho profundo porque sei o quanto é difícil estar ali. E eu sempre respondo a mesma coisa:

“Porque você está tentando aplicar as regras antigas num jogo completamente novo.”

Elas ficam me olhando, esperando que eu continue. E eu continuo:

"Você está tentando ser eficiente numa fase que não é sobre eficiência. Você está tentando produzir quando deveria estar apenas presente. Você está correndo quando a maternidade está te pedindo para ficar quietinha, escutando o barulho do silêncio."

 

A verdade que poucas pessoas têm coragem de dizer

Sabe qual é a coisa mais difícil de fazer uma mãe aceitar? Que o problema não são elas ou seus bebês.

O ritmo lento dessa fase é mais que normal e saudável. É necessário.

A distração constante? Faz você se concentrar no mais importante: o carinho e o cuidado com seu bebê.

A necessidade de repetir tudo mil vezes? Exatamente como deveria ser, pois é na repetição que o amor floresce, você aprende a ser mãe e seu bebê se desenvolve.

Nós é que fomos nos moldando para correr. Acabamos medindo o nosso valor pelo tanto que entregamos. Fomos nos acostumando com o barulho constante, no celular, no trabalho e na cabeça e querendo sempre ser produtivas e multitarefas. 

Desaprendemos a viver no tempo real da vida. E aí a maternidade chega e exige exatamente o que mais nos esquecemos:

Presença.

Lentidão.

Repetição.

Corpo e mente no mesmo lugar.

Para uma mulher acostumada com adrenalina, isso não parece descanso. Parece fracasso.

Vi isso acontecer com a Ana. Com a Júlia. Com a Carol. Com inúmeras outras.

Todas mulheres incríveis, capazes e inteligentes. Todas se sentindo completamente perdidas.

O conselho que muda tudo (e que todas precisam ouvir)

Lembro de uma tarde com a Júlia. Ela estava no limite: bebê no colo, olhos fundos, aquele cansaço que vai além do físico. E de repente ela explodiu:

"Marianna, eu não estou conseguindo sentir o que todo mundo fala. Cadê a alegria? Cadê a benção? Eu só sinto cansaço e culpa."

Respirei fundo. Segurei a mão dela.

"Júlia, você precisa desacelerar."

Ela riu. Daquele jeito amargo de quem não tem energia nem para rir de verdade.

"Desacelerar? Marianna, eu mal consigo fazer o básico..."

"Exatamente por isso. Você está tentando fazer tudo como fazia antes. Mas você não é mais quem era antes. E não precisa ser."

Continuei:

"Pare de tentar ser a mulher de antes. Pare de querer dar conta de tudo. Pare de medir o dia pelo que você riscou da lista de afazeres. Sente-se no chão com o seu bebê. Respire fundo. Olhe nos olhos dele. Esquece o mundo lá fora por um momento."

Ela não conseguiu naquele dia. Ainda estava presa na urgência.

Mas eu sabia que a semente estava plantada.

Quando o tempo muda de forma

Semanas depois, a Júlia me mandou uma mensagem.

"Mari, aconteceu algo hoje. Estava com o bebê no tapete, ele olhando para a própria mão, e eu ia levantar para fazer sei lá o quê. Mas lembrei do que você disse. Sentei no chão do lado dele. Sem celular. Sem lista mental. E... nossa. Foi a primeira vez, em meses, que eu realmente estava ali, sabe? Inteira. E ele sorriu para mim. E eu chorei. Mas não de cansaço. De presença, de maravilhamento."

Leio mensagens assim com frequência agora. De mães que finalmente entenderam que ser mãe não é sobre acertar a rotina. Não é sobre ter a casa organizada. Não é sobre ser produtiva.

É sobre estar presente quando tudo dentro de você pede para fugir.

É ter um novo olhar para esse momento (o tal puerpério), e aceitar que seu corpo fez muita coisa e precisa de uma pausa. Que sua mente está mudando e precisa de tempo.

É saber que o bebê vai precisar de você antes de qualquer outra coisa — e deixar que isso seja suficiente.

Quando isso acontece, tudo muda.

O tempo passa de outra forma.

A maternidade deixa de ser uma lista de tarefas e vira conexão.

A culpa dá lugar ao pertencimento.

Você só precisa de permissão

Se você está lendo isso e algo dentro de você apertou, eu preciso que você saiba: você não está falhando. Você está tentando viver duas vidas ao mesmo tempo: a que você conhecia e a que está nascendo agora.

E ninguém consegue fazer isso sem se partir um pouco.

Se você não sente a "bênção" que outras mães dizem sentir...

Se você não está curtindo como imaginava...

Se você se sente mais cansada do que realizada...

Talvez você só esteja correndo rápido demais para sentir.

Eu vejo isso todos os dias nos meus atendimentos, mães incríveis que só precisam de uma coisa:

Permissão para desacelerar.

Para deixar a louça para depois.

Para não responder a mensagem.

Para dizer não.

Para simplesmente se sentar, respirar e viver esse parêntesis do tempo.

Então aqui está, vindo de mim, que acompanho essas jornadas todos os dias: você tem permissão.

Desacelere.

Respire.

Você não precisa dar conta de tudo.

Você só precisa estar aqui, agora, com esse ser que nasceu — e com a nova mulher que nasceu junto.

É por isso que criei a Womb com meus irmãos

Depois de anos acompanhando mães, eu entendi que existia uma lacuna na maternidade. Eu via o padrão se repetir: mulheres exaustas, tentando dar conta de tudo, sem tempo nem energia para estar presente.

A Womb nasceu para mudar essa situação e mostrar que a maternidade pode ser mais leve. Para simplificar o que pode ser simplificado.

Sem ingredientes duvidosos.

Sem promessas vazias.

Sem complicação.

Só o essencial, seguro e verdadeiro.

Porque quando o cuidado fica mais simples, você finalmente consegue estar presente. Com o bebê. E com você mesma.

Vem com a gente?

Em breve, vamos lançar algo que vai transformar até a troca de fraldas num momento de conexão.

Sim, é possível. Eu vejo isso acontecer todos os dias com as mães que acompanho.
E agora, quero que você experimente também.

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Sem spam. Sem excesso.
Só conteúdo verdadeiro, do seu tempo, para o seu tempo.

Porque você merece desacelerar.

Com carinho,

Marianna, doula e co-fundadora da Womb

 

 

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